Contos de Quinta: Medidas Paliativas

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Essa não era a primeira vez que ela tivera uma ideia do tipo. Certa vez, com o coração apertado, resolveu que mudar todo o guarda-roupa seria a solução. Por se tratar de ser algo muito caro e trabalhoso, essa opção foi posta de lado dessa vez. Lembrou-se então, daquela outra vez, quando estava tão tristinha e cabisbaixa e ia descontar tudo tomando banho de sol e piscina. A sensação era ótima, no início. O poder da luz do sol queimando a pele, a sensação das mazelas saindo pelo suor e depois aquele banho gelado pra completar. Sim, a sensação era ótima nos primeiros 20 minutos. Depois, tudo parecia um saco e os pensamentos voltavam à tona rapidinho.

Não, ela precisava de algo mais eficiente dessa vez. E então veio a idéia: vou mudar meu visual! Assim como Sansão perdeu a força ao perder os cabelos, ela tinha esperança que a dor fosse embora junto com as madeixas. Chegou ao salão e pediu:

– Corta.

– Mas como? – perguntou a cabeleireira.

– Não me importa muito o corte, apenas corta!

E se prontificou a observar os pedaços de mechas caindo ao chão.

Não demorou muito pra chover elogios e só Deus sabe o poder que um elogio é capaz de fazer à auto-estima de qualquer mulher. Sim, ela sentia-se melhor. Sim, ela viu que era desejada por outros homens e, por que não, outras mulheres! Sim, ela gostava de se olhar ao espelho e sentir-se outra mulher.

Mas a dor, aquela desgraça teimosa e insistente, continuava lá

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