E a vida continua…

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Nunca fui muito a favor de pular a fase de “luto” que acontece ao fim de cada relacionamento. Pelo contrário, sempre vivi o luto muito intensamente, chorando e sofrendo como se fosse morrer e nunca mais pudesse encontrar o amor novamente. Aí a dor vai passando, passando, até você se sentir renovada, levantar, sacudir a poeira, voltar à programação normal e, mais na frente, quem sabe até, amar tudo de novo. Tenho o pensamento de que todo sentimento deve ser vivido plenamente, incluindo a dor, por que não? E vou mais a fundo, o luto também, pois se você pula essa fase, pode estar certo de que ela vai te puxar mais na frente.

No entanto, é um pouco difícil contabilizar as fases quando você não consegue identificar em que momento você perdeu o grande amor da sua vida. Não digo aquele momento em que você é pega de surpresa, avisada de que “ei, eu não estou mais na sua, tchau”, mas sim aquele não-momento em que você percebe que você não almeja mais a presença da pessoa amada, vocês não completam mais as frases um do outro ou não consegue lembrar a última vez em que caíram na risada ao se dar conta que um entendeu o que o outro quis dizer apenas se olhando. O luto, nesse caso, não é vivido, nem pulado. Ele é só ignorado. Você não sente a necessidade dele porque não se deu conta que houve um fim. Talvez por ser difícil admitir que aquela relação tão forte, que parecia infinita, acabou. Talvez por saber que acabou, mas ser doloroso admitir. Talvez por simplesmente não querer pensar no assunto e seguir a vida.

Tal qual nunca dá pra dizer qual o momento exato em que os seus soluços pararam, tem hora que você simplesmente para de pensar no assunto e, quando vê, aquela história que parecia ser eterna, se foi. E embora você não consiga lembrar em que momento isso aconteceu, você se dá conta que tem alguém no seu lugar. Existe alguém andando no banco de passageiro enquanto cantam alto aquelas músicas que vocês tanto adoravam. Existe alguém que vai receber primeiro todas as  notícias, boas ou ruins. Existe alguém que vai, quem sabe, completar as frases antes do seu (antig0?) amor as dizer. E vão dar gargalhada disso.

É, existe aquele momento em que você não consegue identificar quando foi que perdeu o grande amor da sua vida e, por isso, dói saber que já existe um novo amor na jogada. Mas algo de esperançoso me faz acreditar que isso não significa que ninguém possa ocupar, exatamente, o seu lugar. E talvez a falta de luto não signifique pular nenhuma etapa, apenas que nada morreu, nem acabou, somente se perdeu. E a vida continua. E outras pessoas virão. Mas sabe, a capacidade de saber o que o outro pensa só em se olhar, receio que seja infinita.

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