Vaidade tem idade?

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Há uns dias eu estava secando o cabelo de Laura e imediatamente lembrei de uma matéria que tinha lido na Capricho há, no mínimo, uma década. Nela, era mostrada a rotina de uma mãe super jovem, que tinha acabado de fazer 18 anos e tinha sido mãe aos 15. Lembro, exatamente, da foto, como se eu tivesse visto a revista há alguns dias e lembro, também, do meu pensamento ao ver tal imagem: “Nossa, não acredito que ela está fazendo escova no cabelo dessa menina tão pequena”. Quem nunca julgou algo antes de ser mãe e se viu fazendo igual depois de ter filho, que atire a primeira pedra, não é mesmo?! Antes de ser mãe, a gente costuma pensar – e às vezes falar – vários “se fosse comigo…”, mas a verdade é que se a gente cospe pra cima, a possibilidade da baba cair na nossa testa é grande.

Quis evitar certas vaidades, como maquiagem e esmaltes de unha, por algum tempo, ainda que sem especificar nenhuma idade e hoje, já tendo liberado quase tudo, comecei a me perguntar se existe uma idade certa para isso. Por mais horrendo que eu ache uma criança, seja de 3 ou 10 anos, maquiada, parecendo uma adulta, não consigo condenar um batomzinho aqui e ali ou até algo mais colorido em dias especiais, como festival de dança ou apresentação de teatro. Acho que toda menina – e alguns meninos também rsrs – lembra de ter ido mexer no armário da mãe e se lambuzar de maquiagem, enquanto subia no salto alto duas vezes maior que seu pé e pendurava todos os colares no pescoço de uma só vez, né? A vaidade aparece em algumas crianças desde muito cedo e acho que cabe a nós, pais e mães, ir observando e incentivando a usar isso como diversão, não como estilo de vida.

Hoje Laura tem 6 anos e 9 meses, tem uma penteadeira só pra ela com blushes, sombras, pincéis e batons. Na idade dela eu não tinha nem metade dos brinquedos que ela tinha, muito menos uma penteadeira recheada de maquiagem só pra mim, mas alguma coisa eu devo estar fazendo certo, porque a frequência com que ela usa tudo isso é a mesma da minha, há uns booons anos atrás. Se até o que é bom, em excesso fica ruim, o segredo é, sim, saber dosar bem as coisas em vez de simplesmente vetar, proibir e dizer que “é coisa de adulto”. Posso receber olhares julgadores ao passar de mãos dadas com minha filha usando um batom rosa, afinal, quantas vezes antes de ser mãe, eu não julguei também? “Ahhhh, se fosse meu filho”… Espera tua hora pra ver!